quinta-feira, 24 de dezembro de 2015




Acerca da adopção de crianças por invertidos

Um dom, e não um direito


Pedro Vaz Patto

No início da nova legislatura, com a marca de prioridade ideológica por parte dos partidos proponentes, o Parlamento discute projectos que legalizam a adopção conjunta por uniões homossexuais e que alargam o recurso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres sós ou em união homossexual. E parece que quase nem vale a pena discutir estas alterações de grande alcance antropológico e ético, tão dogmáticos são os seus apoiantes e tão menosprezados (nuns casos) ou tímidos (noutros) são os que as contestam. Mas vale a pena chamar a atenção (pelo menos isso) para o que está em jogo.

A adopção não pode configurar-se como direito dos candidatos a adoptantes. Não se trata, pois, e em primeira linha, de chamar à colação, no que a esses candidatos diz respeito, o princípio da igualdade e não discriminação em função da orientação sexual.

Decisivo é, antes, o bem da criança a adoptar. Sabendo que a finalidade da adopção não se compadece com qualquer experimentalismo social, nem se confunde com qualquer instrumento de afirmação de «novos modelos de família». Finalidade da adopção é a de proporcionar à criança uma família o mais possível igual à da família biológica (uma família igual à das outras crianças), não um qualquer espaço afectivo, mas aquele que é próprio da filiação.

O bem da criança supõe, no que à adopção conjunta diz respeito, a presença simultânea de uma mãe de um pai. Cada um deles tem um papel único e insubstituível. Uma mãe, nunca substitui um pai e um pai nunca substitui uma mãe. A configuração concreta desses papéis vai mudando com o tempo e em função de características peculiares de cada pessoa. Mas nunca a ponto de tornar indistinto o que há de ser sempre distinto, porque radica na natureza humana. As dimensões masculina e feminina só em conjunto, na sua complementaridade, compõem a riqueza integral do humano e só a presença simultânea das figuras materna e paterna proporciona à criança o benefício dessa riqueza integral. O progenitor do mesmo sexo, como modelo, ajuda a criança a encontrar a sua própria identidade, tal como o progenitor de sexo oposto lhe permite colher características desse outro sexo que também concorrem para a formação de uma personalidade humanamente completa e equilibrada.

No fundo, é a riqueza da dualidade e complementaridade dos papéis do pai e da mãe que justifica que, na adopção conjunta, os adoptantes sejam dois e não um, três ou mais.

Com o alargamento do recurso a técnicas de procriação medicamente assistida a mulheres sós ou em união homossexual, é eliminada a regra de que esse é um meio de procriação subsidiário, destinado a suprir uma infertilidade patológica, passando a poder ser encarado como um meio alternativo de procriação, ou seja, um instrumento de realização de qualquer projecto parental possibilitado pelo desenvolvimento científico. E torna-se lícito privar a criança da figura paterna, de forma deliberada e programada.

Já houve quem saudasse esta inovação por representar uma quebra da «desigualdade arcaica que reduz as mulheres a apêndices dos homens».

Mas, na verdade, a natureza colocou, neste aspecto, homens e mulheres em estrito pé de igualdade: as mulheres não procriam sem os homens, mas os homens também não procriam sem as mulheres. Ninguém é mãe sozinha e ninguém é pai sozinho. Não se trata de um desígnio a corrigir ou anular, como se não tivesse sentido. Cada um dos sexos não pode deixar de reconhecer, assim, a importância do outro. Assim se exprime a estrutural relacionalidade da pessoa humana, que se realiza na comunhão com o outro. Essa comunhão está na origem da vida a partir da unidade da diversidade mais elementar: a que distingue homens e mulheres. Da riqueza da dualidade sexual nasce a vida. Associar a geração da vida à comunhão e ao amor (a vida é fruto do amor e o do amor nasce a vida), e à riqueza da dualidade sexual, não é um «engano» da natureza, mas um desígnio maravilhoso a aceitar e acolher.

A alteração proposta pretende consagrar uma visão radicalmente diferente: a procriação como instrumento de realização de um projecto individual, e não relacional. O filho tende, assim, muito mais, a ser encarado como espelho do único progenitor, e já não como dom a acolher na sua alteridade e unicidade. Passa a ser visto como objecto de um direito que se reivindica. É o «direito à parentalidade» que está em jogo – afirma-se em defesa do projecto em discussão.

Quando se rejeitam estes dois projectos, não se trata de impor um modelo de família ou uma forma de encarar a maternidade. Trata-se de dar primazia ao bem do filho, que não pode ser coisificado como objecto de um direito. Não há um direito ao filho; o filho é um dom a acolher. O bem do filho exige que ele seja fruto de uma relação, e não de um projecto individual. E exige que ele não seja intencionalmente privado de uma mãe ou de um pai.




Os lamentos de Nuno Crato

não chegam ao céu


Heduíno Gomes

Justino e Crato: evolução na continuidade.

Ainda o novo salvador da educação do governo de António Costa não tinha aquecido o lugar, já o ex-Ministro Nuno Crato filosofava no Público (12 de Dezembro de 2015) sobre o ensino, no bom estilo de Roberto Carneiro ou Velez Grilo. Coisa que não era o seu estilo e a que terá ganho o gosto na Avenida 5 de Outubro. Trata-se, apenas, de uma justificação para os resultados nulos da sua acção, tanto mais quanto as expectativas que tinha criado em algumas pessoas.

Crato deixou-nos no sistema de ensino a mesma dominante filosofia rousseauista, o mesmo pedagogismo paranóico, a mesma nomenclatura igualitarista e niveladora por baixo, os mesmos programas a condizer, os mesmos manuais escolares medíocres, a mesma indisciplina e permissividade nas escolas, a mesma fraude «generosa» na pseudo-avaliação, a mesma estupidez na colocação de professores, os mesmos dramas na vida dos professores, a mesma secundarização do ensino do Estado em termos de qualidade, o mesmo complexo pedagogico-industrial a mandar no ensino e a submeter o interesse nacional ao lucro e carreiras dos parasitas que o compõem — «especialistas» em «pedagogia», empresas editoras, sindicalistas do sector e outros de menor evidência.

Crato herdou um sistema de ensino medíocre e, volvidos 4 anos de maioria no parlamento, o sistema de ensino permaneceu igualmente medíocre. Outra coisa não seria de esperar dada a sua superficialidade na abordagem do problema. Não fez o que devia, ou porque é rolha, ou porque não sabia o quê e como.

Agora pode «filosofar» o que quiser. O que fica para a história é a sua nula acção. Foi mais um que por lá passou a encher o currículo.


Eslovénia rejeita em referendo

casamento entre pessoas do mesmo sexo


Mais de 60% dos eslovenos rejeitaram hoje em referendo uma lei que autorizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada em Março no Parlamento, segundo os resultados quase definitivos divulgados pela comissão eleitoral.

O referendo foi realizado por iniciativa dos opositores do casamento homossexual, que obtiveram 63,12% quando estavam contados 96% dos votos, enquanto os apoiantes da lei ficaram com 36,88%, de acordo com os resultados.

A votação contou apenas com a participação de 35,65% dos eleitores, mas mesmo assim o referendo é válido, dado que só necessitava de uma participação de 20%.

No Parlamento, a lei alcançara uma larga maioria, com o apoio da esquerda e do partido centrista do primeiro-ministro, Miro Cerar, reconhecendo aos casais do mesmo sexo os mesmos direitos dos casais heterossexuais, incluindo o direito de adopção, o ponto mais contestado pelos opositores.

O Papa Francisco defendeu esta semana o «não», convidando os eslovenos a «apoiarem a família, estrutura de referência da vida em sociedade».

Os defensores do «não» eram apoiados pela oposição de direita e pela Igreja católica e lançaram este processo conseguindo reunir as 40 mil assinaturas necessárias para a realização de um referendo de iniciativa popular.

A organização do referendo suspendeu a aplicação da lei e não chegou a realizar-se qualquer casamento ao abrigo da mesma.

O Primeiro-Ministro e o Presidente da Eslovénia, Borut Pahor, apoiaram o «sim».





(Texto de http://uniaodasfamiliasportuguesas.blogspot.pt/ )



O Campanário do Vale do Roxo

em formato digital





1 — A  ORIGEM  E  A  RETOMA  DO  CAMPANÁRIO

Iniciado em Dezembro de 2002, O Campanário do Vale do Roxo, graças à dedicação do Padre Olavo e à boa vontade de vários colaboradores, foi publicado e distribuído ininterruptamente em papel durante mais de 9 anos como boletim mensal da Paróquia de Ervidel.  O Campanário chegava a todos os lares de Ervidel, levando informação e cultura, muitas vezes em contraponto em relação à cultura dominante e decadente veiculada pelos meios de comunicação.
Não havendo hoje condições para que continue na mesma fórmula, surgindo entretanto uma situação de maior acesso à internet por parte dos destinatários e reconhecendo-se manifestamente a falta d' O Campanário como órgão informativo e cultural, optou-se, 13 anos depois do primeiro número, pela sua edição electrónica. Esta consta do blogue http://campanarioervidel.blogspot.pt/ e da página de comunidade do Facebook. 
O blogue conterá os textos mais longos, enquanto a página do Facebook conterá mais actualidade e ligações para os textos do blogue.



2 — OS  PRINCÍPIOS  QUE  NOS  NORTEIAM 

Os princípios que nos norteiam são os da Civilização cristã, ou ocidental, ou europeia, da Nação portuguesa e do bem comum.

Nos princípios da nossa Civilização temos, em primeiro lugar, o reconhecimento da sua matriz cristã.
Em segundo lugar, assumimos os princípios éticos fundamentais do cristianismo: o respeito, a responsabilidade, a fidelidade, a verdade e a bondade.
Nos dias de hoje, impõe-se ainda salientarmos como valores decorrentes da nossa Civilização a família natural, a vitalidade e coesão demográfica da cristandade, a sua cultura e a sua defesa. 
Assim, são contrários aos nossos princípios o multiculturalismo, o relativismo moral ou religioso ou a «teoria do género» e das «várias formas de família». 

Como princípios da Nação portuguesa, defendemos a sua identidade, a sua cultura no que apresenta de específico em relação à Civilização, a sua língua, a sua história, a coesão social, a sua independência, a integridade das suas fronteiras e a participação num sistema de defesa colectiva com as outras nações que compõem o espaço da Civilização. 
Assim, são contrários aos nossos princípios o globalismo, a dissolução da Nação numa Europa dirigida por outrem, o internacionalismo, o regionalismo, o abastardamento da língua portuguesa, a omissão ou falsificação da história ou a subversão da identidade nacional. 

Como princípios do bem comum, para o que se torna fundamental a defesa da Civilização e da Nação portuguesa, defendemos a ordem pública, a segurança dos cidadãos nas ruas, em suas casas e nas escolas, a justiça, a educação de qualidade, a saúde, a segurança social, a assistência para os necessitados assim como a economia suficiente para sustentar as necessidades das famílias e todas as funções do Estado, tal como as funções sociais, de defesa, de segurança e do seu próprio funcionamento.
Assim, são contrários aos nossos princípios a permissividade, o desrespeito pelas forças da ordem, o facilitismo pedagógico, a corrupção, o desperdício no Estado, a frieza da tecnocracia, a burocracia do estatismo ou a selva do liberalismo.


3 — A  COLABORAÇÃO  DE  ERVIDELENSES 

Na certeza de que todos os ervidelenses desejarão o melhor para a sua terra e suas gentes, para o País que os viu nascer e para a Civilização em que se integram, são convidados a partilhar este espaço com os seus textos e imagens, de recordações, de história ou de actualidade. Onde quer que se encontrem — na terra, em Portugal ou no estrangeiro.
Devem enviar a sua colaboração para campanarioervidel@gmail.com  .